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12 agosto, 2013

Reforma ortográfica: 5 recursos on-line grátis

Idéia ou ideia? Ultra-sonografia ou ultrassonografia? Lingüiça ou linguiça? As novas regras firmadas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 1990 estão válidas desde 2009, mas ainda causam muitas dúvidas por aí. Tanto que, no fim do ano passado, o Senado prorrogou por mais três anos o período de transição de uma ortografia para a outra.
Mas, a partir de 1o de janeiro de 2016, não tem mais jeito. O Brasil e todos os países lusófonos deverão padronizar sua escrita – a propósito, se o documento que regulou a ortografia que vem sendo substituída completa hoje 70 anos.
Para que ninguém fique para trás, o Porvir organizou uma lista com 5 recursos on-line gratuitos para não errar com a nova ortografia. São cursos, aulas, páginas interativas, exercícios e games elaborados por especialistas e disponíveis gratuitamente na web. Confira!
1. JurisWay
Site dedicado a discutir questões importantes no mundo jurídico. Disponibiliza cursos gratuitos em diversos temas. O da reforma ortográfica é apresentado numa sequência de slides e é dividido em 6 tópicos:
O que é o acordo ortográfico?
Críticas à reforma ortográficaO retorno do K, W e YSupressão do tremaDupla grafia ou dupla acentuação no Novo Acordo OrtográficoTranslineação no Novo Acordo Ortográfico
2. Câmara dos Deputados Um programa interativo elaborado pelo Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara e disponível no site da instituição apresenta o histórico do acordo, seus detalhes por tema (alfabeto, trema, acentuação e hífen), além de exercícios.
3. Plataforma Iped Plataforma que reúne cursos de diversos assuntos, com versões gratuitas e pagas. As versões gratuitas são mais simples, mas já permitem ter acesso a conteúdos. Para acessar, é preciso completar um cadastro e criar um perfil – que pode ser o Facebook ou do Google+. Dentro da plataforma, é possível ver os cursos no qual o usuário se matriculou e agenda de atividades gerais, como palestras dos mais variados temas para os próximos dias. No curso do Novo Acordo Ortográfico, é possível ter acesso a conteúdo, participar de fóruns de discussão, acompanhar o progresso das aulas.
4. Game da Reforma Ortográfica Game on-line e gratuito desenvolvido pela FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas) em parceria com a Retoque Comunicação e o LivroClip apresenta questões que, se respondidas corretamente, permite que o jogador avance em um tabuleiro.
5. UOL Reforma Ortográfica Seção do portal UOL dedicado à reforma ortográfica reúne notícias sobre o acordo, vídeos e podcasts de especialistas, planos de aulas para professores dos ensinos fundamental e médio, dicas e exercícios.

17 julho, 2013

Start-Ed quer fomentar a criação de edtech.

A Fundação Lemann lançou ontem o Start-Ed, programa que vai dar apoio técnico e financeiro de R$ 20 mil para até dez start-ups educacionais ligadas à produção e aprimoramento de softwares, aplicativos e jogos voltados para língua portuguesa. As inscrições estão abertas até 7 de agosto e podem participar pessoas físicas, empresas ou organizações sem fins lucrativos.

O Start-Ed surge com a proposta de incentivar iniciativas que possam ser aplicadas  à realidade de alunos de escolas públicas brasileiras, para uso em sala de aula sob orientação dos professores ou para estudo complementar em casa. As propostas podem focar desde a  educação infantil até o ensino médio e devem ser voltadas para alfabetização ou quaisquer ferramentas para aprimoramento da leitura e escrita. Valem ideias que coloquem crianças, pela primeira vez, em contato com o alfabeto; recursos que ajudem estudantes com defasagem idade-série na interpretação de textos; ou ainda projetos, por exemplo, voltados à redação e a literatura para jovens.
“As soluções tecnológicas inovadoras para a educação, quando bem utilizadas dentro e fora da sala de aula, são decisivas para ajudar a melhorar o aprendizado. Elas podem ser usadas por muitos estudantes ao mesmo tempo e conforme o ritmo de cada um, permitindo grande ganho em escala e ensino personalizado”, afirma Denis Mizne, diretor geral da Fundação Lemann.
Para participar, cada projeto pode ter até três representantes inscritos que precisam apresentar um minicurrículo cada, um breve histórico sobre a ferramenta contendo: público alvo, objetivos, os resultados esperados e o impacto que ela pretende causar na educação. Além disso, é necessário ainda o envio de uma apresentação didático-metodológica do projeto e de um vídeo, apresentando o projeto e a equipe envolvida. Os vencedores serão anunciados em 28 de agosto. (Veja todas as informações e regras do programa).
Os empreendedores selecionados vão participar, entre setembro e dezembro, de seis encontros presenciais em São Paulo, onde terão workshops e debates sobre desenvolvimento de softwares educativos, design instrucional, neurociência e aprendizado. Nessas reuniões, eles também vão receber orientações para pesquisa, prototipagem e teste do produto.
Além disso, as propostas escolhidas terão acesso a uma rede de contatos de escolas públicas do país, especialistas e investidores. Segundo Mizne, a proposta é que os empreendedores estreitem seus laços com os diferentes nichos de clientes, financiadores e reguladores para que consigam  entender o funcionamento dos recursos digitais educacionais. Em dezembro, todos os projetos deverão se apresentar para uma comissão de especialistas. As iniciativas mais bem avaliadas, com potencial de impacto e escalabilidade, poderão receber mais financiamentos e apoio em 2014.

12 julho, 2013

Jardim da infância virtual é uma boa ideia?

Recentemente, a revista especializada em educação Edweek, levantou uma discussão sobre o crescimento de escolas que oferecem aulas on-line para crianças do ensino fundamental. Exemplo disso está no programa Connections Education, da Pearson, que, desde 2002, oferece esse tipo de metodologia onde de casa, os meninos acompanham videoaulas e fazem exercícios. Modelo que, segundo seus criadores, tem um crescimento anual de matrículas em torno de 25%. Em entrevista a revista, Steven Guttentag, co-fundador e chefe da criação de currículo on-line da instituição, explica que, no início do desenvolvimento do programa, a pergunta mais frequente era: por que colocar crianças na frente do computador o dia todo? E a resposta é que elas não ficam todo on-line o tempo todo, e sim, apenas 20% do tempo.
Quando não estão na frente da tela, as crianças desenvolvem atividades como formar letras para trabalhar habilidades motoras ou trabalham com materiais manipuláveis para aprender formas básicas de geometria, por exemplo. Ainda assim, especialistas em desenvolvimento infantil estão inseguros quanto a capacidade do ensino virtual de obter a quantidade necessária de interação social e emocional em ambientes virtuais. “As crianças precisam desenvolver habilidades de aprendizagem do século 21, que incluem criatividade, colaboração e resolução de problemas do mundo real por meio do desenvolvimento de projetos em grupo com objetivos comuns”, diz Roberta Schomburg, professora de educação infantil na Universidade de Carlow e vice-presidenta do Conselho Diretivo da Associação Nacional para a Educação de Crianças, ao Edweek. Para ela, a aprendizagem colaborativa é muito difícil de ser aplicada on-line para uma criança de cinco anos de idade.
Já a Rose Tree Media School, na Pensilvânia, que tem cerca de 3.800 alunos, divide as aulas entre presenciais e on-line (em que estudam de casa com a mentoria dos seus pais). O modelo, que pode ser chamado de sala de aula invertida, faz com que os alunos aprendam determinados conteúdos on-line para, depois, executarem projetos temáticos em grupo nas salas de aula. A tecnologia é usada, também, na captura de imagens das telas dos computadores e no uso de câmeras para que os alunos gravem seus próprios vídeos a respeito do que aprenderam durante as aulas.
No Brasil, o Porvir conversou Arnaldo Nogaro, professor da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, cujo tema de pesquisa do doutorado foi a formação do professor para a escolaridade inicial. Para ele, esse o modelo de ensino que adota apenas aulas on-line para crianças do ensino fundamental impede que elas desenvolvam determinadas habilidades. “Acredito que o aluno perde muito com isso, principalmente em socialização, em desenvolver a capacidade de interação e de enfrentamento de situações típicas do convívio social, sem contar o aprendizado que o grupo oportuniza”, diz.
Em entrevista por e-mail, Nogaro falou sobre a importância do uso de tecnologia nas escolas, mas que a formação dos professores é fundamental para que essas ferramentas não prejudiquem o desenvolvimento dos pequenos. Leia abaixo a entrevista completa.
Qual o impacto que elas podem causar no ensino?
Penso que o impacto das novas TDICs (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) provocam impacto na organização da mente, no funcionamento da “cabeça” das crianças antes mesmo de entrar na escola, basta pensar em quantas horas em frente à televisão e quanto vídeos uma crianças assiste até a idade de ingresso na escola; e este nem sempre é positivo, pois pode gerar ansiedade, stress, irritação e mentes desatentas. O que a escola e os professores precisam é ter a oportunidade de capacitar-se para o uso das TDICs. O que tem ocorrido é que as escolas são equipadas com recursos diversos e não se faz a formação do professor para utilizá-las. Acaba tendo um descompasso entre o que o aluno traz como bagagem de uso e aquilo que o professor sabe e  conhece de como trabalhar com o aluno com a utilização desses artefatos.
Você acredita que modelos que mescla aula on-line, de casa, e presencial pode ser usado em alunos nessa faixa de idade? Como?Penso que é possível. Há que se inserir os educadores neste debate e os pensadores da educação para que se busque adequar o uso e o tempo de uso com a faixa etária, para não contribuirmos para uma superexposição da criança ao ambiente virtual. Mas há que se pensar em estratégias que resultem em aprendizagens de conhecimentos e ampliação das habilidades dos estudantes para que o “momento de uso” da tecnologia não se transforme no “recreio de lazer” ou de “descanso” do professor e o momento presencial o de trabalho “duro”.
Você acha viável que os alunos assistam aulas on-line de casa, tendo acompanhamento dos seus próprios pais?Alguns países têm a prática de ensinarem seus filhos em casa, como é muito comum nos Estados Unidos, acredito que o aluno perde muito com isso, principalmente em socialização, em desenvolver a capacidade de interação e de enfrentamento de situações típicas do convívio social, sem contar o aprendizado que o grupo oportuniza. Como recurso pedagógico pode-se adotar o modelo on-line, no entanto pergunto-me quantos pais terão tempo de serem tutores de seus filhos? Em que horários? Qual o conhecimento de estratégias de aprendizagem, de aquisição de conhecimento conhecem para auxiliarem seus filhos?
Acha que a criatividade é mais estimulada quando há um contato com a tecnologia?O mais importante é o como a tarefa vai ser desenvolvida do que com quais recursos. É claro que utilizando recurso interativos, dinâmicos pode-se ter até melhores resultado, mas muito do tempo da criança no uso das TDICs é repetitivo, “automatizado”, de pouca criatividade, fruto muito mais do treino do que do pensamento criativo. Retornamos  à ideia inicial da forma como são utilizadas as TDICs, da complexidade e profundidade das tarefas ou não e do desafio que lhe é posto levando-a ao desenvolvimento de maior profundidade de pensamento.

Como deve ser feita essa dosagem da tecnologia?Como afirmei acima, há que se ter equilíbrio de tempo e atividades entre os dois momentos para que não se estigmatize um deles. O uso das TDICs muitas vezes pouco se diferencia das aulas tradicionais, fazendo-se atividades repetitivas, burocráticas e maçantes. É necessário pensar que muitas crianças passam boa parte do seu tempo “doméstico” fazendo uso das TDICs e se, ao chegarem à escola forem submetidas novamente às TDICs sem um uso adequado vão preferir a conversa e interação com colegas do que “fazer o que fizerem boa parte do seu dia”. Para termos aulas inovadoras é necessário planejamento de cada atividade com objetivos a serem atingidos e clareza das habilidades que se deseja desenvolver.
Quando a tecnologia pode atrapalhar o desenvolvimento do aluno?Quando ela estiver presente na sua vida de forma excessiva ou utilizada de forma inadequada. Estudos mostram como games e outros podem gerar dependência, compulsividade, levando a estados doentios. Além deste aspecto há os relacionados ao funcionamento da mente: superficialidade, dispersão, sobrecarga etc. Outro aspecto que deve ser considerado é quando o estudante não desenvolveu autocontrole ou não tem a capacidade de definir limites de uso e de tempo para as TDICs, provocando perda de tempo, secundarização de tarefas importantes ou abandono de atividades que exijam mais concentração e trabalho.
E o professor? Como deve ser a preparação dele para lidar com essas novas demandas?Primeiro rompendo as barreiras físicas de acesso e mentais de uso das TDICs. Segundo dando-se conta que o ingresso destas na sociedade e na vida das pessoas é irreversível. Não se trata de postura fatalista, mas de adotar posturas críticas, de uso adequado e voltadas para a construção de habilidades positivas. Precisa também ler, informar-se, buscar auxílio de como introduzir estas na sua vida e no seu trabalho. É tarefa também dos gestores e dirigentes educacionais auxiliar o professor oportunizando cursos de formação, esclarecimentos sobre as mesmas e instrumentalizando o professor para desenvolver seu trabalho na realidade do século XXI.
Para o senhor, como seria a escola do futuro?É difícil imaginar a escola do futuro numa sociedade da incerteza em que fazer previsões é muito arriscado pois incorre-se no perigo de se imaginar coisas que jamais poderão acontecer. No entanto, acredito que poderão surgir novos artefatos, formas diferentes de se organizar os espaços de aprendizagem, mas vejo um protagonismo muito grande para o professor, especialmente porque a construção do sentido, a relação emocional, sua proximidade pedagógica com a criança são fundamentais e nenhum tecnologia vai pode ou terá condições de substituir. Se as escolas terão o mesmo modelo, se seguirão padrões parecidos com os de hoje em sua organização, não sei. Há algumas certezas e estas estão relacionadas ao perfil das novas gerações que serão muito mais voltadas para o uso das TDICs e à necessidade de um professor que tenha a capacidade de se renovar permanentemente e acompanhar as mudanças que ocorrerem.

06 julho, 2013

Jogos multidisciplinares para o ensino básico.

Ensinar de forma multidisciplinar e com conteúdos que realmente interessem aos alunos é um desafio de muitos professores. Igualmente desafiador para gestores e secretarias é medir, em uma escala maior, estatísticas sobre a evolução da rede de ensino. Pensando na criação de um espaço como esse, dois sócios, um catarinense e outro carioca, decidiram dar vida ao Xmile, startup que está desenvolvendo um ambiente virtual onde alunos de escolas do ensino básico aprenderão os conteúdos do currículo obrigatório a partir de games que reúnem várias disciplinas. A interação com os jogos vai gerar dados que permitirão aos pais, professores e gestores acompanharem, em tempo real, o nível de aprendizado dos alunos.
“Ao contrário de outros ambientes virtuais, que apostam em pacotes de games, e que muitas vezes não conversam entre si, decidimos usar um game com uma história lógica. Usamos uma cidade e personagens fictícios [na voz de dubladores dos personagens de X-Men e He-Man] na qual os estudantes aprendem resolvendo desafios práticos”, afirma Nicolas Peluffo, diretor executivo na Xmile.

Com previsão de lançamento apenas para janeiro do ano que vem, as primeiras experiências, ainda piloto, estão sendo realizadas em escolas privadas de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O primeiro protótipo já está sendo criado e será destinado, inicialmente, aos estudantes do 1o ao 3o ano ensino fundamental. Apenas para essa etapa serão desenvolvidas, até o final do ano, 120 histórias, com cinco desafios cada, que trabalharão, de modo multidisciplinar, conteúdos referentes ao ciclo de alfabetização. “O aprendizado não acontece pela repetição, mas pela contextualização e ludicidade. Na vida real, matemática e português caminham juntas em situações cotidianas”, argumenta Peluffo, que pretende, inclusive, ampliar o nicho de atuação, chegando a todas as séries do fundamental a partir de 2015 e do ensino médio, em 2016.
No ambiente virtual, os alunos, entre seis e oito anos, são os Guardiães do Sonho no Mundo das Coisas Perdidas. Nele, precisam ajudar o personagem central, o Barão Bom Trapo, a recuperar a grande bola de lã roubada pelo antagonista, o Senhor Sombrio. Já na primeira fase da história, o jogador precisa pegar um trem que o direcionará ao próximo desafio, porém, ele precisa organizar, por cores ou tamanhos, os novelos de lã em três caixas distintas que darão carga à locomotiva. Os desafios ajudam os estudantes a aprender noções básicas de matemática, além de estimular a colaboração e a resolução de problemas.
“Nos preocupamos muito com a autoestima das crianças. Quando não acertam, por exemplo, elas recebem feedbacks como ‘Que estranho, não era bem  isso’, para que em nenhum momento o aluno fique desestimulado a prosseguir na história”, afirma.
Assim que conclui um desafio, o desempenho do estudante é representado por uma cor: verde representa nenhum erro em cada fase; amarelo, que cometeu alguns deslizes; enquanto a cor vermelha sinaliza alerta, ou seja, que o aluno está com dificuldades. Esses sinais são enviados, em tempo real, diretamente ao professor por meio de um sistema de monitoramento de aprendizagem, conhecido como LMS — e chamado pela Xmile de XMS. Nele, o professor verifica a evolução de cada estudante, em cada uma dos desafios, identificando onde reforçar o ensino. “Cada funcionalidade serve um propósito diferente, o que faz com que o professor identifique as habilidades ou necessidades individuais, já que tem acesso a uma agenda com nome de todos os alunos e contatos dos pais”, afirma.
O mesmo acontece no caso dos gestores de escola, que contam com canais para contato direto com os professores, ou para as próprias secretarias, que têm à disposição planilhas simples e objetivos identificando a partir dessas estatísticas as escolas que mais precisam de atenção. “Não estamos ensinando, mas consolidando conceitos que já foram ensinados ou que já foram trabalhados em sala de aula. A plataforma é de ensino adaptativo, porém a decisão do que fazer com ela fica a cargo dos professores ou gestores. Somos ferramenta complementar”, salienta.

Fonte: http://porvir.org