29 outubro, 2006

O Brasil começa a testar em 2007 o laptop popular.

O Brasil começa a testar em 2007 nas salas de aula de colégios públicos o laptop popular. Os computadores fazem parte de um audacioso projeto chamado Um Computador Por Aluno (OLPC, na sigla em inglês), cuja proposta é distribuir um laptop de US$ 100 para cada estudante brasileiro dos ensinos fundamental e médio da rede pública. Os laptops estão sendo oferecidos a governos de várias partes do mundo pela ONG norte-americana OLPC, comandada pelo cientista da computação Nicholas Negroponte, fundador do Laboratório de Mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.
O primeiro lote de máquinas chega ao Brasil em novembro. São cerca de 50 equipamentos que serão distribuídos entre as universidades e centros de tecnologia que estão avaliando o programa para o governo brasileiro. Outras mil máquinas chegarão em janeiro e serão testadas em escolas a serem selecionadas pelo Ministério da Educação. “O programa é uma revolução na educação. Tem muita coisa a ser feita até que se decida se o programa vai ser bom e se o Brasil deve adotá-lo ou não. O primeiro passo é saber se os requisitos pedagógicos atendem às necessidades de professores e alunos”, afirma José Luiz Maio de Aquino, um dos coordenadores do programa para o governo federal e assessor especial da Presidência da República. Líbia Além do Brasil, Nigéria e Tailândia, já mostraram grande interesse no projeto de Negroponte, mas, por enquanto, apenas a Líbia fechou negócio com a OLPC. O acordo para a compra de mais de 1 milhão de computadores para as crianças do país custou ao líder líbio, Muamar Khadafi, até pouco tempo inimigo mortal dos norte-americanos, cerca de US$ 250 milhões. Segundo a professora Roseli de Deus Lopes, do Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), uma das responsáveis por testar a funcionalidade dos protótipos e verificar sua aplicação pedagógica, o grande desafio atualmente para a implementação do projeto no Brasil é a conectividade. Como o computador deve ter uma capacidade de armazenamento bastante limitada, é essencial que as crianças tenham acesso irrestrito à internet sem fio. “O maior desafio é movimentar o mercado para conseguirmos soluções de baixíssimo custo para a conectividade”, diz ela. Por enquanto, os pesquisadores brasileiros estão testando a conexão pela rede WiMesh, sistema em que os laptops se interligam sem a necessidade de direcionar o trafégo de dados de cada uma das máquinas para uma torre central. A rede WiMesh pode chegar a velocidade de 54 Mbps. “A verdadeira inclusão digital vai ocorrer na casa do aluno. Se a criança puder levar o computador para casa, poderá ser o agente de transformação social, porque vai envolver a família toda”, afirma Roseli. “Por isso é importante que ela tenha acesso à internet tanto na escola quanto em casa”, completa. Além da Poli-USP, a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), de Florianópolis (SC), e o Centro de Pesquisas Renato Archer (Cenpra), de Campinas (SP), participam da avaliação do projeto para o governo brasileiro. Apenas depois de uma avaliação final feita pelos três órgãos o Brasil deve decidir se adota ou não o programa.

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